Onde eu morava já havia também o suicídio, assunto como a poeira dos caminhos. Ninguém queria falar, mas o pó levantava-se indelével...
O meu maior medo era sempre o de encontrar a vítima pendurada em qualquer árvore; e, das árvores onde isso mais fácilmente acontecia eram as Oliveiras. Árvores muito harmoniosas, vindo da Síria, tão resilientes, adaptáveis, perenes, talvez pela sua beleza, misticismo dádiva de luz póstuma se ofereciam àquela viagem secular.
Secularidade, se o será?...
Ainda observo ambas as situações com a mesma dignidade. O emaranhado espiral dos troncos da árvore e o do tronco da pessoa. Tanta pertença, tanta fé e tão ousado destino, tão breve e tão efémero. No trabalho de Blake, sente-se essa inquietação transcendental e questinamento sobre o passamento.